Amigos,
O Texto de hoje não é meu.
Quem escreveu foi meu irmão, Ângelo, que escreve muito bem, por sinal..
Confiram, e comentem!
DESPRENDIMENTO INTELECTUAL
Todos nós, um dia já ouvimos falar de desprendimento material, o qual representa a idéia de não se preocupar tanto com o dinheiro, com os bens que possuímos, e pior ainda, com aqueles bens que ainda queremos possuir. Muitas pessoas dedicam toda, ou boa parte de sua vida, procurando sempre elevar seu “padrão de vida”. Não que isso seja errado, muito pelo contrario, o dinheiro quando bem administrado torna-se uma benção, mas a busca exacerbada a qualquer custo, inevitavelmente levara a uma frustração, pois como sabemos tudo é passageiro.
Ultimamente, tenho pensado em um novo tipo de desprendimento, o intelectual. O ser humano tende a interagir com outro através de seu intelecto, o que nos diferencia de outros seres. Com o passar dos anos, vamos criando certos tipos de pré-conceitos em diversos temas, e quanto mais nós conhecemos esses temas, mais difícil é mudarmos de opinião. Quantos já não passaram pela situação, de em se achando o “dono da verdade”, teimamos com outra verdade que nos é apresentada, chegando muitas das vezes, esse conflito de “verdades” se tornarem conflitos pessoais. Isso pode ocorrer em casa, no trabalho, na escola, ou em qualquer outro momento de interação humano x humano.
Desprender-nos de nosso próprio intelecto, nos faz sermos mais cautelosos em falar, e passamos e exercitar o bom hábito de ouvir. É claro que muitas vezes, as outras “verdades” que nos são apresentadas, indubitavelmente não apresentam o mínimo de coerência para poder ser levadas a sério, más o fato de simplesmente ouvir, facilita a interação com outra pessoa, a qual estará mais propícia para também ouvir um argumento diferente.
É como conversar com um corintiano. Para ele, o “timão” é o melhor time do mundo. Não adianta nesse tipo de diálogo, outro recurso a não ser inicialmente ter paciência para ouvir, e em seguida argumentar, que como pode o Corinthians ser o melhor time, sem sequer possuir uma Taça Libertadores em sua sala de troféu. Como podemos ver, nessa argumentação não há coerência para que a proposta apresentada possa ser tida como verdade. Desculpe-me os corintianos.
Por outro lado, temos que estar atentos, pois muitas vezes, argumentos diferentes dos nossos, acabam fazendo muito mais sentido. Certa vez, quando ainda era adolescente, descobri que um rapaz embora de forma frustrada, tentou beijar a força minha namorada, só não logrou êxito por interferência de um amigo. Assim que soube, estava ao lado de um grande amigo, daqueles que estão ao seu lado para o que der e vier, e naquela época não sentíamos as intempéries da idade e do excesso de peso, inclusive praticávamos jiu-jítsu, e logo disse a ele:
- Cara, estou querendo ir ate a casa do fulano, e dar uma surra nele. Vamos?
De imediato ele me respondeu:
- Claro!!!
Eu estava convicto, que naquele momento, a melhor solução para resolver o problema, era dar uma imensa surra no sujeito, e eu poderia fazer, sem medo de apanhar, a certeza da vitoria já pairava na minha imaginação.
Esse meu amigo me pôs dentro do carro, (ele tinha acabado de tirar habilitação) e com dois minutos de percurso ele encostou e me disse:
- Meu amigo, eu estou contigo para o que der e vier. Se quiser ir bater no sujeito, nós vamos, mas antes gostaria de argumentar. O que você vai ganhar com isso? Você acha que a violência é capaz de resolver os problemas? E as conseqüências disso, você já parou para pensar? Os pais dele, os seus pais, os nossos amigos...
Eu fiquei pensando por alguns minutos. Consegui me desprender do que minha mente apresentava como a mais absoluta verdade, e pude comparar a “minha verdade”, com outro argumento, que naquele instante passou a fazer muito mais sentido. Pronto! Acabara de ser persuadido e obrigado a reconhecer que estava errado. Aquelas palavras não foram fáceis de serem ditas, mas consegui:
- Cara, você esta certo, vamos para sua casa tomar um tereré.
Esse é um fato simples, mas com efeitos enormes em minha vida, pois ali comecei a aprender que nem tudo aquilo que pensamos, seja sobre uma determinada matéria, sobre outras pessoas, ou sobre mim mesmo, é a mais absoluta verdade.
O desprendimento intelectual deve ser exercitado alem das relações humanas, mas também em nosso relacionamento com Deus. Muitas vezes limitamos Deus, a nossos conceitos e pré-conceitos, o que nos impede de ver uma verdade muito mais extraordinária do que a nossa, que é a verdade dEle. ´
Em nosso relacionamento com Deus, possuímos muitos argumentos e opiniões, e às vezes chegamos a lutar com Deus, para que nossa própria vontade seja feita. Não aceitamos com facilidade o “não” e o “espera” de Deus, somos imediatistas, e queremos a solução para a nossa luta, de forma mais rápida possível. Isso é normal, pois somos humanos. Quantos de nós, já não tomamos direções sabidamente que não eram orientadas por Deus, e no final, por um motivo ou por outro, descobrimos que aquilo não era de fato o ideal para nossas vidas?
Nesses casos, para que a verdade de Deus seja escolhida para um direcionamento segundo a verdade dEle, precisamos aprender a ouvi-Lo. E não é simplesmente ouvir, mas sim, nos desprendermos de nossa própria razão, de nossa própria vontade, abrir realmente o coração para aquilo que ele tem a nos dizer. Dizer a Ele: Pode falar Senhor, teu servo te escuta!
Nesses casos, para que a verdade de Deus seja escolhida para um direcionamento segundo a verdade dEle, precisamos aprender a ouvi-Lo. E não é simplesmente ouvir, mas sim, nos desprendermos de nossa própria razão, de nossa própria vontade, abrir realmente o coração para aquilo que ele tem a nos dizer. Dizer a Ele: Pode falar Senhor, teu servo te escuta!
Quando fazemos isso, podemos entender com maior clareza o texto abaixo.
ICORINTIOS[3]
18 Ninguém se engane a si mesmo; se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para se tornar sábio.
19 Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito:Ele apanha os sábios na sua própria astúcia;
20 e outra vez: O Senhor conhece as cogitações dos sábios, que são vãs.
21 Portanto ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso;
22 seja Paulo, ou Apolo, ou Cefas; seja o mundo, ou a vida, ou a morte; sejam as coisas presentes, ou as vindouras, tudo é vosso,
23 e vós de Cristo, e Cristo de Deus.
Ou o que dizer dos ensinamentos de Tiago:
"Sabeis estas cousas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar" (Tiago 1:19).
Busquemos em Deus esse desprendimento intelectual, para que através disso, possamos melhorar nossa interação com nosso próximo, e acima de tudo, para que possamos estreitar nosso relacionamento com o onisciente, onipotente e onipresente Senhor de nossas vidas.
Ângelo Magno Lins do Nascimento
PIB - DOURADOS
Texto muito bom e edificante. Muitas vezes me pego querendo 'impor' minha opinião. Isto é tão desgastante e não cai bem ao cristão, temos que nos exercitar para sermos mais brandos no falar e mais atentos no ouvir. Obrigado por me levar a refletir sobre isso.
ResponderExcluirTexto extremamente edificante, nos faz refletir em muito nossas "verdades absolutas"... Precisamos pensar muito mais com pensamentos de Deus.. "Que são bons, perfeitos e agradáveis" do que com nossos pensamentos limitados e muitas vezes doentes pelas informações que nós mesmo inculcamos erroneamente. Abraços Amanda
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